Cogumelos

Cogumelos não são uma designação taxonomica. O termo “cogumelo” deve ser usado, de acordo com a definição de Chang & Miles, como “um fungo macroscópico com corpo de frutificação distinto”, o qual pode ser tanto epigeo (sobre o solo) quanto hipogeo (subterrâneo), de um tamanho suficiente para ser visto a olho nu e coletado pela mão.

O cogumelo não é o organismo completo, mas sim apenas o apêndice de uma rede de filamentos microscópicos denominada “micélio”, formado por celulas vegetativas que lembram o algodão: as hifas. Desta forma, o aparecimento efêmero dos cogumelos representa apenas uma fase curta do seu ciclo de vida. Este pode durar desde alguns dias e até mesmo séculos(!). Da mesma forma que o tempo pode ser bastante relativo para estes organismos peculiares, o espaço também o é. Partindo de esporos microscópicos para celulas de apenas alguns micrometros, o micelio dos cogumelos pode se desenvolver indefinidamente até atingir proporções gigantescas, como ja foi constatado com a ocorrencia de um único organismo com identidade genetica ocupante de uma área equivalente à 150 campos de futebol (!)

Do ponto de vista taxonomico, principalmente os basidiomicetos, mas também alguns ascomicetos pertencem aos cogumelos. Cogumelos formam um grupo de pelo menos 14000 ou talvez até 22000 espécies já conhecidas. O numero de espécies de cogumelos estimado na Terra de 140000 sugere que apenas 10% são espécies conhecidas.

Pelo padrão proporcional dos cogumelos que fornecem benefícios extremamente úteis e diretos ao homem, assume-se que apenas 5% ou seja, que apenas 7000 (!) espécies foram descobertas.

Por que Mycena?

1. Etimologia: Cidade Grega de Mycenae, localizada no topo de uma colina sinuosa ao sul da ilha Peloponeso. (Micologia) Gênero de Basidiomycetos (Fungos) decompositor de madeira, húmus e serrapilheira, endêmico das florestas úmidas. Algumas espécies podem manifestar bioluminescência, com registros na Mata Atlântica.

O grupo dos cogumelos “mycenoides” apresenta uma das mais ricas variedades de espécies, principalmente nas florestas úmidas. Além da beleza dos caropóforos (cogumelos), o micélio (fase vegetativa) dos mycenae apresenta grande adaptação para crescimento no solo das florestas. Os Mycenae promovem, junto com milhares de outros fungos, a decomposição da matéria organica, a liberação de compostos secundários, nutrientes e enzimas, que aceleram a velocidade de re-absorção e respiração das plantas. Além disso, os benefícios ecológicos dos fungos decompositores vão muito além da recilclagem de nutrientes para as plantas. Atraem e interagem com diversos grupos de organismos, principalmente os insetos, como as larvas de besouros e moscas, criam ambiente fértil para o surgimento de algas, musgos e aracnídeos. Servem de alimento, ambiente e substrato para sua reprodução, alimentando toda uma cadeia dentro de um ecossistema. O resultado da (inter)ação destes organismos é uma floresta dinâmica, com crescimento vigoroso.

A Floresta Atlantica representa hoje apenas 1% do território original e ainda sofre uma pressão e um impacto severo dos assentamentos humanos. Uma vez que esta mesma floresta apresenta, sobretudo, os maiores indices de biodiversidade terrestre, a missão a ser construída esta em buscar soluções para o paradoxo “padecer no paraíso”. Desta forma, a proposta Mycena vem para experimentar alternativas ecológicas para melhoria da qualidade de vida e conservação da biodiversidade.

Simbiose. O conceito ecológico de simbiose é visto de maneira clássica nas associações micorrízicas. O fungo forma uma “Rede de Parcerias” entre as plantas e o solo, mobilizando trocas e interações sem as quais a planta teria muita dificuldade de sobreviver, e mesmo o fungo não cresceria. Com este modelo, o princípio do Mycena é sempre a parceria. É necessário a interação com diferentes esferas de “atores”.

Mas qual o futuro dos fungos? Apesar do sucesso evolutivo dos fungos no passado, o que o futuro os reserva? Com uma estimativa de que a devastação atual das florestas tropicais possam levar ao desaparecimento de cerca de 400.000 especies, sem contar as ocupações dos demais ecossistemas terretres, as perspectivas para conservação da biodiversidade parecem sinistras. Entretanto, a rota alternativa em que os fungos irão sobreviver, muito mais do que apesar, são as atividades humanas: a domesticação. Muitas espécies hoje extintas na natureza so estão vivas graças a domesticação por seres humanos. Da mesma forma os cogumelos serão conduzidos para um futuro promissor através das suas habilidades  de se infiltrar em materias solidos, secretar enzimas líticas e degradar substratos recalcitrantes que se acumulam no ambiente. Além disso , devem desempenhar um papel fundamental na nutricão e na saude das pessoas. Os cogumelos apresentam propriedades nutricionais e medicinais que serão largamente empregadas pela industria de fermentação num furuto muito próximo. Da mesma forma a degradação de compostos contaminantes em ambientes aquáticos e terrestres serão solucionados graças as capacidades estratégicas dos fungos de se desenvolver em ambientes inóspitos. Uma outra aplicação ambiental dos fungos está na sua capacidade de controlar pragas enquanto bioinseticidas e no controle de ervas daninhas, que devem substituir de maneira segura os pesticidas quimicos nos proximos anos.

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