Pára e Pensa

Pára e pensa: a realidade do dinheiro

O dinheiro é hoje essencialmente virtual. Tem por realidade uma sequência de 0 e 1 nos computadores dos bancos. A maior parte do comércio mundial tem lugar sem papel-moeda, apenas 10% das transacções financeiras diárias correspondem a trocas económicas no “mundo real”. Os mercados financeiros constituem um sistema próprio de criação de dinheiro virtual, de lucro não baseado em criação de riquezas reais. Graças ao jogo dos mercados financeiros (que permite transformar em benefícios as oscilações das tendências), os cuidadosos investidores podem ser declarados mais ricos por uma simples circulação de electrões em computadores. Esta criação de dinheiro sem criação de riquezas económicas correspondentes é textualmente a definição da criação artificial de moeda que a lei proibe aos falsificadores e que a ortodoxia económica liberal proibe aos estados. É por conseguinte possível e legal para um número restrito de beneficiários. Para compreender o que é realmente o dinheiro e para que serve, invertemos o proverbial “tempo é dinheiro” para dinheiro é tempo. Dinheiro é o tempo. O que permite comprar o tempo do outro, o tempo necessário para produzir os produtos ou serviços que consumimos. Dinheiro sem a correspondente criação de riqueza (tempo) é falso.

Pára e pensa: os atributos do poder

As organizações multinacionais privadas dotam-se progressivamente dos atributos do poder dos estados: redes de comunicação, satélites, serviços de informações, ficheiros sobre os indivíduos, instituições judiciais. A etapa seguinte e final para estas organizações será obter a parte do poder militar e policial correspondente à sua nova potência, criando as suas próprias forças armadas porque os exércitos e polícias nacionais não são adaptados à defesa dos seus interesses no mundo. A prazo os exércitos são chamados a tornarem-se empresas privadas, prestadores de serviços a trabalhar sob contrato com os estados, ou não importa qual cliente privado capaz de pagar os seus serviços. Na etapa derradeira deste plano, os exércitos privados servirão os interesses das grandes multinacionais e atacarão os estados que não se dobrarem às regras da nova ordem económica. Em antecipação, este papel é assumido pelo exército dos Estados Unidos, o país melhor controlado pelas multinacionais.

Pára e pensa: estratégias e objectivos para o controlo do mundo

Os responsáveis do poder económico são quase todos do mesmo mundo, dos mesmos meios sociais. Conhecem-se, encontram-se, compartilham as mesmas visões e os mesmos interesses. Por conseguinte compartilham naturalmente a mesma visão do futuro ideal do mundo. Portanto é natural que atribuam a si próprios uma estratégia que sintonise as suas acções respectivas para objectivos comuns, induzindo situações económicas favoráveis à realização dos seus objectivos, nomeadamente:

* Enfraquecimento dos estados e do poder político. Desregulamentação. Privatização dos serviços públicos.
* Desobrigação total dos estados e da economia, incluindo sectores da educação, da investigação e a prazo, da polícia e do exército, destinados a tornarem-se sectores exploráveis por empresas privadas.
* Dívida dos estados mantida através da corrupção, de trabalhos públicos inúteis, de subvenções dadas às empresas sem contrapartida, ou às despesas militares. Após a montanha de dívidas acumuladas os governos são forçados às privatizações e ao desmantelamento dos serviços públicos.
* Precarização dos empregos e manutenção d’ um nível de desemprego elevado, mantido graças às deslocalizações e a globalização do mercado de trabalho. Isto aumenta a pressão económica sobre os assalariados, então prontos para aceitar não importa que salário ou condições de trabalho.
* Redução das ajudas sociais, para aumentar a motivação do desempregado a aceitar não importa que trabalho a não importa qual salário.
* Impedir a subida das reivindicações salariais no Terceiro Mundo mantendo regimes totalitários ou corrompidos. Se os trabalhadores do Terceiro Mundo fossem melhor remunerados, quebraria o princípio das deslocalizações e a alavancagem exercida no mercado trabalho e nas sociedades ocidentais. Isto é por conseguinte um ferrolho estratégico essencial que deve ser preservado custe o que custar. A famosa ” crise asiática” de 1998 foi desencadeada com o objectivo de preservar este ferrolho.

Pára e pensa: a informação desapareceu

Desde o início dos anos 90, a informação desapareceu progressivamente dos meios de comunicação social destinados ao grande-público. Os noticiários emitidos pela televisão continuam a existir mas foram esvaziados de conteúdo. Um jornal emitido por televisão contém no máximo 2 a 3 minutos de informação verdadeira. O resto é constituído de assuntos ” magazine”, de reportagens anedóticas, factos diversos, curiosidades e reality-shows sobre a vida diária. As análises de jornalistas especializados, bem como as emissões de informação quase foi totalmente eliminada. A informação reduz-se doravante à imprensa escrita lida por uma minoria de pessoas. O desaparecimento da informação é o sinal tangível que o nosso regime político alterou de natureza.

Pára e pensa: a ilusão da democracia

A democracia já deixou de ser uma realidade. Os responsáveis das organizações que exercem o poder real não são eleitos e o público não é informado das suas decisões. A margem da acção dos estados é cada vez mais reduzida por acordos económicos internacionais sem que os cidadãos sejam consultados ou informados. Todos os tratados elaborados nestes cinco últimos anos (GATT, OMC, AMIGO, NTM, NAFTA) visam um objectivo único: a transferência do poder dos estados para organizações não eleitas num processo chamado ” globalização”. Note-se que proclamar a suspensão da democracia provocaria uma revolução, assim foi decidido manter uma democracia de fachada e paralelamente deslocar o poder real para novos centros. Os cidadãos continuam a votar, mas o seu voto foi esvaziado de qualquer conteúdo. Votamos por responsáveis sem poder real algum, como tal não há diferença alguma entre um programa político de “esquerda” ou de “direita”. Para resumir, nós não podemos escolher o prato mas podemos escolher o molho. O prato chama-se “nova escravatura” com molho de direita apimentada ou molho de esquerda agridoce.

Pára e pensa: a anatomia do Poder

Os verdadeiros mestres do mundo não são mais os governos, mas os líderes dos grupos multinacionais financeiros ou industriais e das opacas instituições internacionais (FMI, Banco Mundial, OCDE, OMC, bancos centrais). Ora estes líderes não são eleitos apesar do impacto das suas decisões sobre a vida das populações. O poder destas organizações exerce-se à dimensão planetária, enquanto que o poder dos estados é limitado à dimensão nacional. Além disso, o peso das sociedades multinacionais nos fluxos financeiros há muito excedeu o dos estados, são também as principais fontes de financiamento dos partidos políticos de todas as tendências e na maior parte dos países, estas organizações estão de facto acima das leis e do poder político, acima da democracia.

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