NATURE BY NUMBERS

junho 9, 2010

A natureza contém em si uma inteligência transcendental.

A Razão Áurea, o número Phi, a sequência de Fibonacci, a linguagem natural dos padrões: espirais, meandros, dendritos, círculos, escalas de geometria fractal se repetindo, criando-se para o interior e para além, em níveis de complexidade infinitos, números-chave, em processos matemáticos, refletindo a unicidade para além de todo o espectro das formas.

Este curta-metragem de Cristóbal Vila, da Etérea Studios, disponível em HD no Youtube e Vimeo, é um trabalho majestoso que mostra a natureza em números, a genial construção das formas naturais através de funções matemáticas universais.

Belíssimo!
Bom proveito,
Filipe Freitas

Nature By Numbers, a short movie inspired on numbers, geometry and nature. By Cristóbal Vila, 2010 –www.etereastudios.com (Veja uma explicação da ciência apresentada no filme no site – em inglês).

Link para o filme:

Myco-Diesel

maio 17, 2010

o Myco-diesel junta-se à lista de produtos maravilhosos que emergem do mundo misterioso dos cogumelos. Os cientistas de Montana State University tropeçaram num fungo existente na Patagónia, que digere celulose, enquanto liberta uma combinação de hidrocarbonetos incrivelmente semelhante ao óleo-diesel. Os compostos resultantes denominam-se myco-diesel. O fungo, Gliocladium roseum, vive no Ulmo, árvore da floresta tropical acelera a decomposição de resíduos vegetais nas explorações agrícolas que são actualmente utilizadas para a produção de biocombustível. A actual produção de biocombustíveis utiliza enzimas para decompor celulose em açúcares que serão posteriormente digeridos por microorganismos que os convertem em etanol.

Criacionismo e pseudociência

maio 17, 2010

Segundo os criacionistas a “teoria da evolução” está completamente falsa e se trata apenas de um “dogma”, criado pelo homem. Apresentam seu argumento nivelando-a ao mesmo dogma em que se baseiam, dizendo assim estar convictos em sua crença, pois já que “se um dogma deve ser seguido, então que seja o nosso”.
Mas o que eles se esquecem é o fato de que a teoria da evolução foi estabelecida a partir da convergência de evidencias por um numero de linhas independentes de indagações. Nenhum fóssil ou nenhum pedaço de evidência biológica ou paleontológica possui a palavra “evolução” escrita nela. Pelo contrario, dezenas de milhares de pequenas evidências adicionam um enredo novo ao mosaico da evolução da vida por uma confluência harmoniosa de eventos.
Os criacionistas ignoram esta confluência convenientemente, enfocando anomalias triviais ou apenas fenômenos obscuros da historia natural, correntemente ainda sem explicação.
Os mesmos criacionistas por sua vez não apresentam nenhuma argumentação coerente do fenômeno observado, exceto criticas apenas à visão do oponente. Esta é uma boa maneira de se evitar as autocríticas, uma vez que é quase impossível para os criacionistas oferecerem uma explicação concreta para o fenômeno da vida, a não ser pela expressão “Deus fez isto…”. Qualquer questão mais profunda onde não se consiga oferecer uma explicação coerente se recorre á esta expressão. Entretanto, esta estratégia é inaceitável para a Ciência.
Todos os cientistas têm suas próprias crenças sociais, políticas e ideológicas que podem potencialmente inclinar as suas interpretações de resultados, mas como os seus preconceitos e crenças afetam suas pesquisas na prática?
Normalmente, qualquer trabalho científico passa por um crivo de revisão perscrutador, onde tais crenças e preconceitos são filtrados e descartados. Se não for assim, o trabalho será rejeitado por uma imensa maioria de autoridades do conhecimento.
Claro, não existe nenhum método de detecção de fronteiras entre ciência e pseudociência que esteja totalmente à prova. Mesmo assim ainda existe uma solução: a ciência concorda com fatos indistintos entre certezas e incertezas. P. ex., se a evolução e o big bang podem ser assumidos com 90% de probabilidade de ser verdade e o criacionismo e os ufos apenas com 10%, para ambos os casos permanecemos abertos e flexíveis, podendo reconsiderar nossas avaliações tão logo uma nova evidencia surja. Talvez seja exatamente isso que torne a ciência tão chata, fugaz e frustrante para a maioria das pessoas. Mas ao mesmo tempo, é isso o que faz da ciência, assim como a arte, um dos produtos mais gloriosos do pensamento humano.

http://cienciahoje.uol.com.br/banco-de-imagens/lg/protected/ch/256/evolucionismo256.pdf/at_download/file

Para ir mais longe:

Crop Circles: Mistério mais profundo e fascinante da atualidade

outubro 23, 2008

Os “círculos” nas colheitas, ou “crop circles”, como ficaram conhecidas as manifestações pictóricas ocorridas nos campos de cultivo da Europa e agora também em outros países são um dos mais fascinantes e profundos mistérios da atualidade. Embora sejam relacionados à atividade humana, nenhuma evidência comprovada foi encontrada nos círculos “autênticos”.

Nestes casos, nos círculos, ou em sua proximidade, nunca foram encontrados quaisquer traços ou pistas que indicassem como foram feitos ou por quem. Não há pegadas de pessoas, ou marcas de pneus de veículos, nem sinal de que as plantas em seu interior tenham sido manipuladas por humanos. Simplesmente, os círculos surgem do nada, portando uma mensagem inexplicável e desafiando nossa inteligência e tecnologia.

Duas organizações vêm fazendo estudo do solo dos círculos. Elas são o Center for Crop Circles Studies in England e uma organização conhecida como ADAS Ltd., trabalhando com o Ministério da Agricultura Inglês. Uma das coisas que eles descobriram é que os solos adquirem uma quantidade anormal de hidrogênio após cada formação. O único modo desta quantidade de hidrogênio aparecer assim seria se o solo recebesse uma carga elétrica extremamente forte.

A origem do fenômeno é bem mais complexa. Alguns estudiosos ingleses encontraram na capa de um tablóide londrino, datado de 22 de agosto de 1678, uma narrativa que faz menção à lenda do “Demônio Ceifador”, relatando a existência de misteriosos círculos nas plantações inglesas já naquela época.

Em outros casos, pessoas foram condenadas pela igreja por utilizar grãos provenientes dos círculos pra celebração de rituais de fertilidade. Também foram relatados casos nas décadas de 1930 e 40, alertando sobre o fenômeno. Com o passar dos anos as figuras foram se tornando cada vez mais complexas, primeiro eram circunferências simples, depois surgiram circunferências duplas, triplas, quádruplas, quíntuplas, círculos com anéis, figuras triangulares, ovais, espirais, etc. e assim o mistério continua, os círculos viraram símbolos e depois figuras complexas e extraordinárias. E com o aumento na quantidade e complexidade das figuras a cada ano, ficava evidente que aqueles misteriosos desenhos jamais poderiam ser feitos por mãos humanas, pois mesmo que tivesse uma multidão de pessoas desocupadas e interessadas em produzir tal fenômeno não iriam dar conta das centenas de círculos que já viam sendo catalogados em todo o interior da Inglaterra.

Com tal aumento na complexidade dos chamados Círculos Ingleses, ficou descartada a teoria inicial de que os círculos seriam simples marcas de trens de pouso de naves alienígenas. Ufólogos, geólogos, biólogos, matemáticos, físicos, astrônomos e céticos se revezam no mundo inteiro para tentar explicar este fenômeno, alguns com bons argumentos, outros chegam a ser ate ridículos, como a história divulgada pela TV Inglesa no final de 1991, de que dois velhinhos Doug e Dave, teriam feito tais desenhos durante a noite usando a simples técnica de puxar uma tábua amarrada a uma corda por sobre os trigais. Logo os céticos do mundo inteiro deram como encerrado o problema e desvendado o mistério.

Mas o que ocorreu nos anos seguintes foi uma explosão do fenômeno (mais de 3000) por regiões tão distantes e de forma tão acelerada que a dupla de velhinhos já não era capaz de realizá-los, exceto pela imaginação. Quando perguntados sobre as técnicas empregadas, muitas vezes titubeavam e não conseguiam dar explicações consistentes sobre as construções das imagens e muito menos sobre sua execução.

Descartando completamente a hipótese dos céticos sobre a autoria humana das imagens e voltando-se ao fenômeno original, observamos que as formações seguem padrões de geometria euclidiana, com complexas formas e motivos, atualmente com várias manifestações baseadas em geometria fractal e simbologia matemática, rica em mensagens codificadas sobre lavouras de grãos ao redor do mundo.

Mas o que temos de concreto até o momento?
1. Sabemos da pesquisa científica que eles são formados (as genuínas formações) por uma energia capaz de alterar a estrutura molecular da planta sem danificá-la. Além disso, também é capaz de alterar a taxa de crescimento e o seu padrão.
2. A energia envolvida parece ser benigna, mas sua natureza ainda é desconhecida.
3. Algumas formações irradiam uma onda de aproximadamente 5.7 Hz no espectro eletromagnético.
4. Ocorrem às vezes paralelamente ao avistamento de Ovnis.
5. Mesmo após a colheita, a forma dos círculos tem permanecido na terra durante pelo menos seis meses em alguns casos. Isto não pode ser conseguido por “formações na colheita” feitas por humanos.
6. Em algumas das formações, bússolas giram denotando uma anomalia magnética presente.
7. A plantação fora da formação não exibe as mesmas características encontradas dentro do círculo.

8. Não há nenhum nível de consistência. Em algumas formações temos o fator som, as anomalias magnéticas e impressões no solo, mas isto não quer dizer que iremos encontrar as mesmas características na próxima formação. Ainda assim, pode-se mostrar que os novos círculos fazem parte de uma formação genuína.

9. Se nenhum ser humano entrar na formação, a colheita (plantação) continuará crescendo e o fazendeiro não vai perder qualquer grão.

Assim, o que nós temos? Lindos padrões geométricos nos campos que desafiam nossas leis de lógica, da física e argumentos. Mas eles continuam aparecendo pelo mundo afora! Eles parecem ter um profundo efeito espiritual em todos os visitantes ou pesquisadores. Talvez, se nada mais houver, esta seja a razão da sua existência.

Olhando de perto

“Para cada coisa que acredito saber, dou-me conta de nove que ignoro.” (Provérbio Árabe)

Mas o que os cientistas dizem a respeito? Existe algum trabalho sério sendo conduzido neste campo? O que se tem realizado são pesquisas ainda incipientes e nenhuma com respaldo de grandes instituições. Entretanto com a multiplicação do fenômeno acredita-se que mais cientistas voltem os olhos para o fenômeno e tenham iniciativa para realizar estudos aprofundados. Nos últimos meses, alguns pesquisadores tem se voltado para decifrar os códigos matemáticos impressos nas imagens. O resultado tem sido fascinante. Muitas das imagens produzidas este ano foram relacionadas a eventos astronômicos, como o eclipse de 1º de agosto, onde vemos várias alusões ao alinhamento planetário. Outra fascinante descoberta foi realizada pelo astrofísico Michael Reed em decifrar uma imagem aparecida em julho deste ano próxima ao castelo Barbury, em Wilts, que continha claramente os dez dígitos do número Pi, a mais ubiqua de todas as constantes matemáticas. Segundo ele, “O pequeno ponto próximo ao centro representa o algarismo decimal, o décimo dígito foi corretamente aproximado, os segmentos angulares representam os dígitos com o salto do raio, de acordo com o valor de cada um, e começando por contar desde o centro, obtém-se exatamente o valor dos dez primeiros dígitos de pi: 3.141592654″

Outro aspecto fascinante das manifestações é a marca deixada nas plantas. As alterações biofísicas são de um grau desconhecido na sua origem, mas algumas simulações demonstraram que a aplicação de alta carga energética pode produzir efeitos semelhantes na estrutura das plantas. Outros estudos tem sido conduzidos por biofísicos e biólogos moleculares no tocante à estas alterações, bastante peculiares e também impossíveis de serem produzidas por mãos (ou pés) humanos. Alguns estudos comprovaram alterações na parede celular das plantas, bem como alterações cromossômicas e embrionárias nas sementes. Entretanto até o momento nenhum estudo amplo foi publicado.

Conforme estas imagens produzidas na Polônia, onde um círculo foi observado em agosto deste ano, as características são semelhantes as demais manifestações, onde as plantas são “dobradas” a mais ou menos 20% da altura, produzindo nódulos no caule com detalhes interessantes, formando um “cotovelo”, que pode ser desenvolvido pela própria planta por pressão de crescimento, porém de forma muito mais lenta do que o ocorrido nas aparições, e nunca na mesma altura da haste e na direção paralela ao solo.

Indo além nas explicações

Testemunhas oculares que presenciaram formações alegam que os desenhos são frutos da manifestação de bolas luminosas, que podem estar agrupadas ou só, onde flutuam sobre as plantações geralmente durante a madrugada. Um vídeo controverso produzido por uma testemunha mostra uma formação em tempo real do círculo pelos ditos ovnis. Numa velocidade surpreendente, o desenho formado pelas plantas dobradas apresenta as mesmas características dos círculos autênticos. Este vídeo esta disponível aqui. Todavia parece que este é o único material produzido em vídeo até hoje sobre o fenômeno, embora multidões de pesquisadorese curiosos tenham tentado registrar estes eventos. Sempre ocorrem fatos inexplicáveis, como alterações no equipamento, descarga das baterias e até esquecimento de por a fita na câmera (sic).

Partindo do pressuposto de que as formas geométricas são originárias de manifestações energéticas desconhecidas, as bolas de luz ou quaisquer outro objeto voador não identificado traduz nossa total ignorância sobre física, principalmente após um século de descobertas quânticas. Descobiu-se que nosso universo é permeado por uma energia infinitamente maior e desconhecida: a chamada energia negra. De fato, esta energia não é escura, e foi apenas um nome escolhido para representá-la, talvez por ser escura para nosso entendimento.

Segundo a renomada bióloga evolutiva Elisabeth Sahtouris, o universo é permeado por formas de energia criativa, presente em todo o cosmos, que diz ainda: “We must collectively recognize what western science is only now discovering: that humanity and the rest of our living world are embedded within a far greater and fundamentally different reality than is encompassed by our current scientific worldview or paradigm. We are replacing the view of a non-living material/ electromagnetic universe with a greater non-physical reality of conscious intelligence as the never-ending source of scientifically known energy and matter�a cosmic source that has been known in many human cultures from ancient times. It is fundamentally conscious and creative, transforming or transmuting into material universes and other creative ventures.”

Talvez estes fenômenos representem uma ótima oportunidade para a humanidade dar um salto significativo em seu desenvolvimento, não apenas pensando em que algo “extraterrestre” seja responsável pela salvação de nosso destino, mas que isto apenas está em nossas mãos, como nunca antes…

Por que conservar a natureza afinal?

outubro 15, 2008

Fernando Fernandez

Até hoje, a meu ver, o cinema só produziu uma obra prima sobre conservação da natureza. Acho que o único filme que já vi que merece este título é um dos mais despretensiosos, mas ao mesmo tempo um dos mais puros e mais sinceros: Dersu Uzala.

Dersu Uzala é um dos filmes menos conhecidos do grande cineasta japonês Akira Kurosawa, falecido há alguns anos. Fez até bastante sucesso quando foi lançado, em 1975, mas depois disso pouca gente ouviu falar dele. O filme conta a história da amizade entre duas pessoas imensamente diferentes: um cartógrafo russo, urbanóide, Arseniev, e um caçador siberiano, que é o tal Dersu. Arseniev lidera uma expedição cartográfica à Sibéria, no início do século XX, e contrata Dersu como seu guia pelas vastidões geladas. Dersu Uzala é um filme lento, com pouca ação, que pode parecer impalatável para alguns cinéfilos acostumados ao ritmo vertiginoso das produções hollywoodianas. Mas vale a pena garimpar as sutilezas com carinho, porque sua paciência será regiamente recompensada: essa majestosa obra prima tem várias cenas antológicas. Um dos maiores pequenos tesouros é a cena da fogueira.

Arseniev, Dersu e os soldados da expedição do primeiro estão em volta do fogo, à noite, comendo um animal recém abatido. De repente, um soldado pega um grande naco de carne e o joga no fogo. Para surpresa geral, o idoso Dersu pula, coloca a mão nas chamas e tira a carne do fogo. O soldado fica perplexo, e segue-se um diálogo mais ou menos assim: “Por que você fez isso? Você podia se queimar!” Dersu responde: “Por que você quer jogar essa carne no fogo? Outra gente vai chegar depois de nós e vai querer comer.” O soldado retruca: “Você está maluco? Nós estamos no meio da Sibéria! Não tem gente nenhuma aqui!” Isto era em 1907, não se esqueça. Mas Dersu então diz, irritado: “A floresta tem muitas gentes”. Para Arseniev, assistindo à discussão à distância, subitamente a ficha cai: sua sutil expressão desconcertada é inesquecível. Ele nem precisaria esperar Dersu completar: “Pode vir um rato, um texugo ou uma gralha, porque você vai jogar a carne no fogo?” O soldado olha ainda sem entender.

A cena da fogueira de Dersu Uzala é inesquecível, entre outras coisas, pelo claro foco de Dersu em conservação, muito além do ambientalismo: pode ser que nenhuma gente de nossa espécie venha, mas nem por isso as outras espécies não merecem sua consideração.

Por que conservar os animais e as plantas afinal? Podem ser apresentadas uma série de razões para isso. Uma das mais ouvidas é que as espécies são fontes de produtos úteis para a humanidade. Em alguma espécie de planta pode estar a cura do câncer, outra poderá fornecer o princípio ativo de algum cosmético fabuloso, ou genes que podem, quem sabe, ser transplantados para outra espécie com efeitos favoráveis. Esse argumento parece à primeira vista fazer bastante sentido. Porém, como bem apontado na revista científica Oikos pelo grande ecólogo inglês John Lawton em 1991, se queremos conservar a biodiversidade, ou pelo menos uma parte expressiva dela, esse é um argumento enganoso, e pode chegar a ser perigoso. Nem todas as espécies são úteis. Para começo de conversa, a maioria das espécies animais são besouros. Há imensa redundância em qualquer grande grupo animal ou vegetal, na bioquímica como em qualquer outra coisa. Muitas espécies são distinguíveis de suas parentes mais próximas apenas por ínfimas sutilezas em suas colorações, suas genitálias ou mesmo seu comportamento, sutilezas essas que só um especialista com anos de treino é capaz de perceber. Isso acontece porque na evolução o processo de especiação (formação de espécies) se dá por isolamento reprodutivo – uma espécie não mais cruzar fertilmente com a outra – e não por quantidade de diferenças entre as espécies. Sendo assim, muitas espécies têm genótipos muito similares ao de espécies próximas, e se desaparecessem, não estariam nos privando de substâncias particularmente diferentes ou valiosas. Provavelmente, embora muitas espécies sejam ou possam ser diretamente úteis ao homem, a maioria não o é.

O mesmo, claro, pode ser dito das utilidades mais óbvias das espécies, para agricultura, pecuária e extrativismo. As espécies adequadas para exploração por essas maneiras são uma ínfima proporção das espécies existentes. O maior problema com esse padrão é que os inimigos da conservação podem facilmente apontar isso e contra-argumentar que, pelo argumento básico da utilidade, a grande maioria das espécies não precisam ser protegidas. Não podemos, portanto, depender desse tipo de argumento.

É verdade que o argumento da utilidade das espécies tem uma versão aperfeiçoada que diz que algumas espécies são úteis afinal, não sabemos quais são ou não, e nessa situação é melhor conservarmos todas elas, ou pelo menos quantas pudermos. Colocado dessa forma, é um argumento bem mais respeitável, mais difícil de rebater, e portanto mais efetivo. Mesmo assim, não me parece que seja suficiente. Afinal de contas, redundâncias continuam existindo na natureza, e as ciências biológicas tem deixado cada vez mais claro onde elas estão. Sendo assim, depender do argumento de que temos que conservar todas as espécies por que não sabemos quais são úteis no fundo é apostar contra o progresso da ciência e do conhecimento. Longe de mim fazer esta aposta. Há, porém, algo que me desagrada mais fundo nas abordagens utilitaristas, mesmo nessa forma mais aperfeiçoada. Esse algo foi expresso com brilhantismo pelo próprio Lawton: “o argumento de que precisamos conservar espécies porque elas podem ser úteis é um argumento ao qual falta alma. É sensato, é verdadeiro, mas não tem espírito, não tem dimensão humana. É o argumento dos tecnocratas…” Cortei pelo meio a citação, desculpe, mas vou me redimir mais abaixo.

Pode ser até então que argumentos estreitamente utilitários sejam úteis, em determinados fóruns, para convencer os tecnocratas. Mas não me considero um tecnocrata, e se você também não for, precisamos continuar nossa procura, indo bem mais fundo – ou quem sabe, mais atrás no tempo.

Me lembro bem de quando aprendi história. Era uma de minhas matérias favoritas na escola e não tenho vergonha de confessar que esperava ansiosamente pelas aulas – que eram muito boas. Mas não me lembro de ter ouvido falar naquelas aulas, nem uma só fez, do efeito da degradação ambiental sobre a trajetória das civilizações humanas. A história, como era pesquisada e ensinada, era completamente cega a isso. Essa situação tem mudado completamente nas últimas décadas, e talvez o maior marco desta mudança até agora seja o maravilhoso e perturbador “Colapso”, de Jared Diamond, lançado em 2005. Se Diamond estiver certo – e seus argumentos são muito convincentes – várias das grandes civilizações do passado entraram em decadência e eventualmente colapsaram por causa de sua incapacidade de manejar adequadamente seus recursos naturais, ou mais precisamente de manter os processos ecológicos que geravam tais recursos. Ou seja, a manutenção da qualidade da água, fertilidade do solo, proteção contra erosão e regulação climática, entre outros, são serviços cruciais que os sistemas ecológicos nos prestam. Todas as nossas civilizações dependem disso, e cuidar bem ou mal dos processos ecológicos tem sido um dos grandes determinantes de que civilizações deram certo ou não. Só isso, e tudo isso. Conservar a natureza por essa razão não deixa de ser até certo ponto uma visão utilitária, mas a meu ver essa necessidade de conservar os processos ecológicos é um argumento infinitamente mais poderoso para a conservação da biodiversidade do que a mera utilidade de cada espécie como fonte de produtos.

Nos últimos anos, com os efeitos cada vez mais óbvios das mudanças climáticas globais, destruindo os delicados mecanismos regulatórios dos processos ecológicos vitais para a biosfera, a sombra do passado se torna cada vez mais inquietante, agora na escala do planeta inteiro. Nosso futuro depende cada vez mais da manutenção dos processos ecológicos. No entanto, sejamos sinceros: esse argumento não explica por que muitos de nós fazemos conservação.

Se você perguntar a um(a) conservacionista porque ele (ou ela)  defende os animais, é provável que a resposta seja algo como, “porque eu gosto de bichos” (ou de plantas, conforme o caso). Eu me lembro de um debate onde vi José Truda, do Projeto Baleia Franca, depois de tentar longamente argumentar porque era importante preservar as baleias, explodir dizendo “Quer saber duma coisa? Eu não tenho que justificar por que eu quero conservar baleias, eu quero conservar baleias por que eu gosto de baleias!” Esse é o argumento sincero, verdadeiro, que vem da alma. Pode, é claro, ser um argumento bastante fraco se o virmos como uma idiossincrasia, como um capricho meramente individual. Mas não creio que seja o caso. Quero, ao invés disso, argumentar que nós gostamos de animais porque somos um, e que aí pode estar a resposta que procuramos.

Uma idéia profundamente revolucionária, proposta por Edward Wilson em 1994, é a da biofilia. A idéia central da biofilia é que gostar da natureza é um dos instintos fundamentais do ser humano. Em uma imensa variedade de outros animais, é comum o processo que os ecólogos chamam de “seleção de habitat”. Os animais são encontrados nos habitats favoráveis a eles porque tem instintos, evoluídos por seleção natural, para reconhecer tais habitats, nos quais evoluíram. O homem é uma espécie biológica, cujo comportamento é influenciado pela cultura adquirida nos últimos poucos milhares de anos, mas também, estejamos habituados a pensar nisso ou não, por instintos evoluídos ao longo de milhões de anos. Por isso, o homem tende a se sentir bem quando está em habitats similares àqueles em que evoluiu – o que explica porque, independente da cultura, gostamos de ir para áreas naturais para nossa recreação. Um dos exemplos mais maravilhosos de Wilson é quando ele se pergunta que tipo de habitat os paisagistas quase invariavelmente planejam, quando se dá a eles absoluta liberdade de criação. O resultado –freqüentemente visto em parques urbanos, campi universitários e condomínios – é uma paisagem com vastos espaços abertos, com o solo coberto de gramíneas, intercalados com pequenos bosques aqui e ali. Isso, Wilson alega, é uma reconstrução de uma savana – o habitat onde nossa espécie evoluiu. Similarmente, nós tendemos a gostar de animais, e de modo geral mais intensamente de animais mais parecidos conosco. Isso aconteceria por que instintivamente reconhecemos – com toda razão, de um ponto-de-vista evolutivo – que são próximos de nós.

Se Wilson está certo, ninguém precisa aprender a gostar de bichos: todos nós já nascemos gostando deles. Gostar dos bichos pelos bichos é muito mais que uma “estratégia” para a conservação da natureza: é uma parte de nós mesmos, que pode ser perdida ou não. Podemos, ao longo da educação, perder contato com a natureza – isso é cada vez mais fácil hoje em dia – e desaprender a gostar de bichos. Mas se conseguirmos evitar isso, aceitar nossa própria natureza animal, inclusive a biofilia que é parte importante dela, é um maravilhoso caminho tanto para o crescimento pessoal como para a mudança global.

Não, Truda, você não tem que se justificar por gostar de baleias. Isso é parte da sua natureza, da minha, e da de todos nós. As pessoas têm vidas mais felizes quando respeitam suas próprias naturezas. Não deveríamos precisar de mais nenhum argumento. Completando a citação do Lawton, “… nós não conservamos concertos de Mozart, pinturas de Monet e catedrais medievais por que eles são úteis. Nós os conservamos porque eles são bonitos e enriquecem nossas vidas.” Assim é também para os animais e as plantas, com a vantagem de que quanto à natureza temos também outros argumentos, para os difíceis de sensibilizar. É que, com todo respeito (e admiração) que tenho por Mozart e Monet, nosso futuro depende muito mais dos processos ecológicos da biosfera do que deles.

Não tenho nenhuma ilusão de que estejamos próximos de onde deveríamos estar. No nosso complexo mundo cultural, muitas outras fortíssimas influências, a começar por doutrinas religiosas que nos dizem que a natureza foi feita para nós, competem com a biofilia e nos levam a perder contato com nossas próprias naturezas. Hoje, a maioria das pessoas ainda está mais perto daquele soldado olhando pasmo para o Dersu do que do próprio Dersu.

No Mundo de hoje, enfrentar e resolver os problemas sociais, que causam tanto sofrimento humano à nossa volta, é sem dúvida fundamental. Acho que todo mundo concordaria com a proposição de isso só vai dar certo se o fizermos a partir de uma genuína preocupação com as pessoas, com os direitos de todos nós a vidas dignas e gratificantes. Dito isso, como argumentei acima, e como Diamond e as mudanças climáticas tem mostrado, conservar a natureza é essencial para o bem estar e para a própria prosperidade das sociedades humanas. No entanto, o leitor pode já ter reparado que eu raramente uso a expressão “meio ambiente”. Não gosto muito dessa expressão. A razão porque eu não gosto é que quando se fala em “meio ambiente”, está implícito que nos referimos ao ambiente (“meio ambiente” é pleonasmo) para a nossa própria espécie. Ou seja, o discurso de “meio ambiente” nos deixa presos ao argumento utilitário. Não gosto de depender disso. Para mim é claro que a mesma proposição que fiz acima para os problemas sociais também se aplica à conservação: num Mundo de tantos interesses econômicos e sociais conflitantes, só acredito que seremos bem sucedidos em conservar os animais e as plantas se o fizermos por eles mesmos, pelo direito que eles têm à vida. Não tenhamos uma visão estreita. Conservar a natureza é bom para a gente. Mas como Dersu já sabia, a floresta tem muitas gentes.

Natural Architecture

outubro 12, 2008

o livro: Natural Architecture
o autor: Alessandro Rocca
o editor: Princeton Architectural Press*****

O ambiente natural ainda consegue encher-nos com um sentimento de temor e espanto. Apesar da quantidade de conhecimento cientifico, a natureza mantem mistérios que provavelmente nunca nos serão revelados. Esta complexidade frusta-nos na tentativa de controlar e ordenar a terra, afastamo-nos da natureza embora saibamos que a nossa sobrevivência está dependente dela.

Natural Architecture é um emergente movimento artístico que explora o actual despertar dos homens para uma harmonia renovada entre a humanidade e a natureza, o que significa um novo conceptual tendo a natureza em mente. As raízes deste movimento podem ser encontrados na “land art” dos anos sessenta, embora este movimento se tenha concentrado no protesto da cada vez maior comercialização da arte, abriu as portas à ligação formal entre a arte e a natureza, permitindo a emergência de uma nova apreciação da natureza em todas as formas de arte e do design.

Natural Architecture é um movimento que pretende expandir o conceito da land art como forma de activismo em vez de protesto. O seu conceito central procura captar a ligação harmoniosa entre a humanidade e a natureza. O movimento caracteriza-se pelo trabalho de um determinado numero de artistas, designers e arquitectos que expressam estes princípios usando materiais simples e competências básicas, o uso de tecnologias simples reflecte arquitecturas e artefactos primitivos; a forma é reduzida à essência inerente aos materiais e à sua localização.

'running in circles' willow and maple saplings, patrick dougherty, 1996

Aquecimento Global: a grande anedota do século

outubro 11, 2008

Durante o ano passado, uma evidência anedótica de arrefecimento planetário explodiu. A China tem o seu Inverno mais frio, em 100 anos. Bagdade vê a sua primeira neve registada em toda a história. América do Norte tem a maior cobertura de neve nos últimos 50 anos, em lugares como Wisconsin a mais alta desde que a manutenção de registos começou. Os níveis recorde de gelo no Antártico, frio recorde em Minnesota, Texas, Flórida, México, Austrália, Irão, Grécia, África do Sul, Groenlândia, Argentina, Chile … (mais aqui)

Agora em Curitiba faz a primavera mais fria dos últimos anos e assim como no resto do mundo,  aqui se pergunta o que seria este tal “aquecimento global”. Trata-se de apenas mais um mito criado para impedir que nações mais pobres cheguem ao patamar dos industrializados, mantendo o formato de imperialismo atual. Para saber mais, o canal 4 de Londres produziu um documentário corajoso desmascarando a farsa política em torno deste fenômeno inexistente.

Pára e Pensa

outubro 11, 2008

Pára e pensa: a realidade do dinheiro

O dinheiro é hoje essencialmente virtual. Tem por realidade uma sequência de 0 e 1 nos computadores dos bancos. A maior parte do comércio mundial tem lugar sem papel-moeda, apenas 10% das transacções financeiras diárias correspondem a trocas económicas no “mundo real”. Os mercados financeiros constituem um sistema próprio de criação de dinheiro virtual, de lucro não baseado em criação de riquezas reais. Graças ao jogo dos mercados financeiros (que permite transformar em benefícios as oscilações das tendências), os cuidadosos investidores podem ser declarados mais ricos por uma simples circulação de electrões em computadores. Esta criação de dinheiro sem criação de riquezas económicas correspondentes é textualmente a definição da criação artificial de moeda que a lei proibe aos falsificadores e que a ortodoxia económica liberal proibe aos estados. É por conseguinte possível e legal para um número restrito de beneficiários. Para compreender o que é realmente o dinheiro e para que serve, invertemos o proverbial “tempo é dinheiro” para dinheiro é tempo. Dinheiro é o tempo. O que permite comprar o tempo do outro, o tempo necessário para produzir os produtos ou serviços que consumimos. Dinheiro sem a correspondente criação de riqueza (tempo) é falso.

Pára e pensa: os atributos do poder

As organizações multinacionais privadas dotam-se progressivamente dos atributos do poder dos estados: redes de comunicação, satélites, serviços de informações, ficheiros sobre os indivíduos, instituições judiciais. A etapa seguinte e final para estas organizações será obter a parte do poder militar e policial correspondente à sua nova potência, criando as suas próprias forças armadas porque os exércitos e polícias nacionais não são adaptados à defesa dos seus interesses no mundo. A prazo os exércitos são chamados a tornarem-se empresas privadas, prestadores de serviços a trabalhar sob contrato com os estados, ou não importa qual cliente privado capaz de pagar os seus serviços. Na etapa derradeira deste plano, os exércitos privados servirão os interesses das grandes multinacionais e atacarão os estados que não se dobrarem às regras da nova ordem económica. Em antecipação, este papel é assumido pelo exército dos Estados Unidos, o país melhor controlado pelas multinacionais.

Pára e pensa: estratégias e objectivos para o controlo do mundo

Os responsáveis do poder económico são quase todos do mesmo mundo, dos mesmos meios sociais. Conhecem-se, encontram-se, compartilham as mesmas visões e os mesmos interesses. Por conseguinte compartilham naturalmente a mesma visão do futuro ideal do mundo. Portanto é natural que atribuam a si próprios uma estratégia que sintonise as suas acções respectivas para objectivos comuns, induzindo situações económicas favoráveis à realização dos seus objectivos, nomeadamente:

* Enfraquecimento dos estados e do poder político. Desregulamentação. Privatização dos serviços públicos.
* Desobrigação total dos estados e da economia, incluindo sectores da educação, da investigação e a prazo, da polícia e do exército, destinados a tornarem-se sectores exploráveis por empresas privadas.
* Dívida dos estados mantida através da corrupção, de trabalhos públicos inúteis, de subvenções dadas às empresas sem contrapartida, ou às despesas militares. Após a montanha de dívidas acumuladas os governos são forçados às privatizações e ao desmantelamento dos serviços públicos.
* Precarização dos empregos e manutenção d’ um nível de desemprego elevado, mantido graças às deslocalizações e a globalização do mercado de trabalho. Isto aumenta a pressão económica sobre os assalariados, então prontos para aceitar não importa que salário ou condições de trabalho.
* Redução das ajudas sociais, para aumentar a motivação do desempregado a aceitar não importa que trabalho a não importa qual salário.
* Impedir a subida das reivindicações salariais no Terceiro Mundo mantendo regimes totalitários ou corrompidos. Se os trabalhadores do Terceiro Mundo fossem melhor remunerados, quebraria o princípio das deslocalizações e a alavancagem exercida no mercado trabalho e nas sociedades ocidentais. Isto é por conseguinte um ferrolho estratégico essencial que deve ser preservado custe o que custar. A famosa ” crise asiática” de 1998 foi desencadeada com o objectivo de preservar este ferrolho.

Pára e pensa: a informação desapareceu

Desde o início dos anos 90, a informação desapareceu progressivamente dos meios de comunicação social destinados ao grande-público. Os noticiários emitidos pela televisão continuam a existir mas foram esvaziados de conteúdo. Um jornal emitido por televisão contém no máximo 2 a 3 minutos de informação verdadeira. O resto é constituído de assuntos ” magazine”, de reportagens anedóticas, factos diversos, curiosidades e reality-shows sobre a vida diária. As análises de jornalistas especializados, bem como as emissões de informação quase foi totalmente eliminada. A informação reduz-se doravante à imprensa escrita lida por uma minoria de pessoas. O desaparecimento da informação é o sinal tangível que o nosso regime político alterou de natureza.

Pára e pensa: a ilusão da democracia

A democracia já deixou de ser uma realidade. Os responsáveis das organizações que exercem o poder real não são eleitos e o público não é informado das suas decisões. A margem da acção dos estados é cada vez mais reduzida por acordos económicos internacionais sem que os cidadãos sejam consultados ou informados. Todos os tratados elaborados nestes cinco últimos anos (GATT, OMC, AMIGO, NTM, NAFTA) visam um objectivo único: a transferência do poder dos estados para organizações não eleitas num processo chamado ” globalização”. Note-se que proclamar a suspensão da democracia provocaria uma revolução, assim foi decidido manter uma democracia de fachada e paralelamente deslocar o poder real para novos centros. Os cidadãos continuam a votar, mas o seu voto foi esvaziado de qualquer conteúdo. Votamos por responsáveis sem poder real algum, como tal não há diferença alguma entre um programa político de “esquerda” ou de “direita”. Para resumir, nós não podemos escolher o prato mas podemos escolher o molho. O prato chama-se “nova escravatura” com molho de direita apimentada ou molho de esquerda agridoce.

Pára e pensa: a anatomia do Poder

Os verdadeiros mestres do mundo não são mais os governos, mas os líderes dos grupos multinacionais financeiros ou industriais e das opacas instituições internacionais (FMI, Banco Mundial, OCDE, OMC, bancos centrais). Ora estes líderes não são eleitos apesar do impacto das suas decisões sobre a vida das populações. O poder destas organizações exerce-se à dimensão planetária, enquanto que o poder dos estados é limitado à dimensão nacional. Além disso, o peso das sociedades multinacionais nos fluxos financeiros há muito excedeu o dos estados, são também as principais fontes de financiamento dos partidos políticos de todas as tendências e na maior parte dos países, estas organizações estão de facto acima das leis e do poder político, acima da democracia.

Os 4 superpoderes dos cogumelos

setembro 18, 2008

Para vencer a balança, a gula que faz você pedir bis no jantar, a baixa imunidade que abre portas para doenças ­ da gripe ao câncer – e o colesterol alto, shimeji e shiitake, os cogumelos do momento, são os grandes heróis dessa história. Vamos tirar proveito da força desse alimento do bem

por Débora Lublinski

Eles não são figurinhas tão fáceis no nosso cardápio como o champignon. Mas se você nunca experimentou os cogumelos shimeji e shiitake, a hora é essa. Grelhados com shoyu como são servidos na culinária japonesa, incrementando risotos ou massas, como acompanhamento de peixes ou carnes assadas, salpicados na omelete e até na nossa amada pizza, eles estão cada vez mais populares nos pratos dos restaurantes badalados. Mas não é só pelo sabor e pela versatilidade que a família dos cogumelos merece aplausos. Agora, esse fungo comestível (não faça cara feia antes de provar, menina!) entrou na lista dos alimentos campeões. Estudos científicos, a maioria da Universidade de Osaka, no Japão, elegeram esse alimento como um dos queridinhos da nutrição funcional depois de comprovar sua ação de prevenção e cura contra algumas doenças. Tanto que, apesar do preço ainda salgado, é possível comprá-lo fresco ou congelado com mais facilidade em feiras e até nas grandes redes de supermercados. A gente revela só para você, garota antenada em alimentação, os superpoderes dos cogumelos mágicos.

poder nº 1: ativa o botão da saciedade e diminui a fome
Dependendo da receita, um prato à base de shiitake ou shimeji pode ser considerado para lá de light. O alimento soma apenas 35 calorias, em média, para uma porção generosa de 100 gramas, 1 xícara e meia de chá ­- um valor menor que a metade da mesma quantidade de kani, por exemplo, que já é considerado pouco calórico. “Sem falar que o sabor intenso dele aciona uma espécie de centro de recompensa do nosso sistema nervoso. Ativado, esse centro manda uma mensagem de saciedade ao cérebro”, explica Vanderlí Marchiori, nutricionista de São Paulo. Mas atenção: para conservar o baixo valor calórico do cogumelo não vale banhá-lo na manteiga (troque-a por uma colher de chá de margarina light) nem regar o risoto com uma lata de creme de leite.

poder nº 2: garante tanta proteína quanto a da carne vermelha (e engorda menos!)
Ele contém vitaminas, fibras e minerais, mas é o alto teor protéico o carro-chefe nutricional do cogumelo. Dá para dizer que quatro colheres de sopa de shiitake equivalem a um bife de carne vermelha pequeno. Tanto o shiitake como o shimeji contêm uma composição privilegiada de aminoácios essenciais, aqueles nutrientes fundamentais para o metabolismo funcionar a pleno vapor e que o nosso corpo não sintetiza sozinho. Outra grande vantagem dele sobre a carne está na baixa quantidade de gorduras. Enquanto 100 gramas de contra-filé têm cerca de 13 gramas de lipídios, a mesma quantidade de cogumelo não ultrapassa um grama de gordura. Aí, não importa se você é fã da proteína para ganhar músculos ou se quer emagrecer comendo menos carboidrato, o ponto vai para o cogumelo.

poder nº 3: recruta o exército de defesa do organismo e previne da gripe ao câncer
Estimular o sistema imunológico está entre os principais benefícios terapêuticos dos cogumelos shimeji e shiitake e, só por isso, já podem ser considerados alimentos mais do que funcionais. Essa missão fica a cargo de uma substância chamada lentinan. “Segundo estudos da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, o lentinan seria capaz de estimular o funcionamento dos macrófagos, células responsáveis pela produção da interleucina, uma outra substância relacionada ao combate da gripe e de outras infecções, até mesmo as causadas por doenças crônicas como hepatite e Aids, além de prevenir o aparecimento de tumores cancerígenos”, constata Jocelem Mastrodi Salgado, professora titular de nutrição da Escola Superior de Agricultora Luiz Queiroz (ESALQ/USP), em Piracicaba, interior de São Paulo.

poder nº 4: afina o seu sangue e afasta o mau colesterol
Ao lado de uma lista que inclui a cevada, o farelo de arroz, a alga marinha e o chá verde, os pesquisadores apontam o shiitake e o shimeji como alimentos capazes de proteger o organismo contra doenças ligadas ao coração. Entre elas, o colesterol alto, a hipertensão, o enfarte e o diabetes. São duas as substâncias responsáveis pela tarefa: a eritadenine que diminui a agregação de gordura no sangue (e que, quando em excesso, entope as artérias) e as betaglucanas, fibras que ajudam no controle do mau colesterol. Não é à toa que os chineses chamam os cogumelos de tônico da longevidade e os utilizam, há muitos anos, secos ou na forma de extratos como medicamentos para tratar o corpo e viver cada vez melhor.

siga o modo de fazer
O truque para tirar o melhor proveito desses super-heróis, o shimeji e o shiitake, é prepará-los em molhos, sopas, cremes, refogados ou chás. É que as receitas em que eles passam por aquecimento multiplicam seus poderes. “Aquecidos a 65 graus (temperatura que antecede o ponto de fervura), durante pelo menos dois minutos, eles atingem uma boa concentração dos princípios ativos”, justifica a nutricionista Vanderlí Marchiori. “Além disso, quando o assunto é prevenção, indica-se consumir 30 gramas ou três colheres de sopa desses cogumelos por semana para afastar os problemas de saúde”, complementa.

Fonte: Revista Boa Forma – março 2005

Termodinâmica da sustentabilidade

setembro 16, 2008

12/9/2008

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP O matemático e economista romeno Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994) ficou conhecido por aplicar à economia o conceito de entropia, emprestado da termodinâmica. Ao mostrar que as concepções tradicionais da economia pecavam pelo extremo mecanicismo, o autor foi um dos precursores da chamada economia ecológica.

Um estudo realizado na Universidade de São Paulo (USP) mostra que as idéias de Georgescu-Roegen, hostilizadas por muito tempo na academia, podem ser fundamentais para o debate atual sobre o desenvolvimento sustentável e sobre os problemas relacionados à energia e ao meio ambiente.

O trabalho, uma pesquisa de mestrado realizada por Andrei Cechin, com apoio da FAPESP, foi defendido no Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam) da USP no fim de julho. O orientador da dissertação foi José Eli da Veiga, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e pesquisador do Centro de Capacidade e Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

De acordo com Veiga, o trabalho recebeu elogios do principal discípulo de Georgescu-Roegen, o economista Herman Daly, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, que é considerado um dos mais importantes economistas ecológicos vivos.

“Pouca gente resgatou o trabalho de Georgescu-Roegen com essa profundidade. É raro que um estudo de mestrado tenha tal qualidade. E mais raro ainda que seja bem recebido por colegas do hemisfério Norte. Daly recomendou que o trabalho seja publicado em inglês e português”, disse Veiga à Agência FAPESP.

Segundo Cechin, o objetivo do estudo foi resgatar as idéias de Georgescu-Roegen e contextualizá-las nos debates da atualidade, especialmente em relação ao que se chama hoje de desenvolvimento sustentável.

“Os manuais de economia sempre começam com o diagrama do fluxo circular, que mostra como o dinheiro, mercadorias e insumos circulam entre famílias e empresas. Para Georgescu-Roegen, isso é um sintoma claro do mecanicismo que predomina na economia”, disse Cechin à Agência FAPESP.

Em seu livro A lei da entropia e o processo econômico, Georgescu-Roegen mostrou que o sistema econômico não era um moto-perpétuo, que alimenta a si mesmo de forma circular, sem perdas. Ao contrário, é um sistema que transforma recursos naturais em rejeitos que não podem mais ser utilizados.

“O autor mostrou que o sistema econômico não pode contrariar as leis da física. A segunda lei da termodinâmica estabelece que o grau de degeneração de um sistema isolado tende a aumentar com o tempo, impedindo a existência de moto-perpétuos. Da mesma forma, o sistema econômico não pode se mover para sempre sem entrada de recursos e saída de resíduos”, explicou Cechin.

Os processo produtivos possuem diferentes agentes, como capital construído, trabalho e fluxos de recursos naturais, produtos e resíduos. “Ao desenvolver uma nova representação do processo, o autor destacou que ele não é circular e isolado, mas é linear e aberto”, disse.

Respeitado pelos economistas convencionais entre as décadas de 1930 e 1960, Georgescu-Roegen foi praticamente banido dos círculos acadêmicos depois da publicação de seu livro, segundo Cechin. “A partir daí, ele passou a estudar as bases biofísicas da economia, conhecimento que ele chamou de bioeconomia. Esses estudos deram origem à economia ecológica, embora ele nunca tenha usado esse termo.”

Desenvolvimento sem crescimento

Uma das principais conseqüências dos estudos do economista romeno foi a tese do decrescimento. Mas condenar o crescimento da economia – visto como solução para todos os males sociais e até ambientais – soou como um verdadeiro delírio.

“Era uma tese considerada muito radical não apenas para economistas conservadores, mas até para alguns ambientalistas. Ele dizia que um dia a humanidade terá que pensar em estabilizar as atividades econômicas, pois não haverá como evitar a dissipação dos materiais utilizados nos processos industriais. Isso certamente exigiria um encolhimento da economia”, afirmou.

Para Cechin, as idéias de Georgescu-Roegen podem se conciliar com a noção de desenvolvimento sustentável. Mas isso depende do que se entende por desenvolvimento sustentável. “A idéia de um crescimento que se sustenta é incompatível com Georgescu-Roegen. Portanto, se desenvolvimento sustentável for a manutenção da capacidade produtiva da humanidade, o conceito é incoerente com as idéias dele.”

Segundo o pesquisador, não seria correto dizer que o economista romeno se opõe ao desenvolvimento, mas que ele defende que a sociedade precisará se desenvolver decrescendo.

“Ele vê a economia não do ponto de vista monetário, mas da perspectiva material. Por isso enxerga que a devolução de resíduos precisará não apenas se estabilizar, mas diminuir efetivamente. A sociedade terá que produzir menos. Mas se o desenvolvimento é a ampliação das liberdades humanas – como defende o prêmio Nobel Amartya Sen –, diminuir o crescimento não significa deixar de se desenvolver”, explicou.

Para Cechin, o ambiente hoje é mais propício para a aceitação das idéias de Georgescu-Roegen, seja em virtude da percepção dos problemas ambientais globais – incluindo o aquecimento global e a questão energética –, seja pela percepção científica contemporânea de que fenômenos complexos não podem ser compreendidos com arcabouços mecanicistas e reducionistas.


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